flowchart TD
A["<b>1. Entender o problema</b><br/>Qual decisão a previsão apoia?<br/>Horizonte, granularidade, custo do erro"] --> B["<b>2. Olhar os dados</b><br/>Gráfico, decomposição STL<br/>Outliers, quebras, intervenções"]
B --> C["<b>3. Estacionariedade</b><br/>ADF + KPSS<br/>Diferenciar (d, D) ou transformar (log)"]
C --> D["<b>4. Identificar</b><br/>ACF / PACF<br/>Ordens candidatas"]
D --> E["<b>5. Estimar candidatos</b><br/>SARIMA, ETS, Prophet, ML<br/>Baseline: SeasonalNaive"]
E --> F["<b>6. Diagnosticar</b><br/>Resíduos: Ljung-Box, ACF<br/>Média zero, variância constante"]
F --> G["<b>7. Validar</b><br/>CV temporal (expanding)<br/>MAE, RMSE, MASE"]
G --> H["<b>8. Prever e comunicar</b><br/>Intervalos de 80% e 95%<br/>Decisões e limitações"]
F -. "resíduo com estrutura" .-> D
G -. "pior que o baseline" .-> B
classDef etapa fill:#ffffff,stroke:#3F3F3F,stroke-width:1.5px,color:#3F3F3F
classDef fim fill:#E50505,stroke:#3F3F3F,stroke-width:2px,color:#fff
class A,B,C,D,E,F,G etapa
class H fim
Fechamento da Parte 1
Revisão integrada de séries temporais e prévia do trabalho intermediário
Objetivos de Aprendizagem
- Integrar decomposição, estacionariedade, ARIMA/SARIMA, Prophet e validação em um fluxo único de análise
- Escolher a família de modelos adequada a partir das características da série e do problema de negócio
- Criticar análises de séries temporais, identificando armadilhas comuns
- Comunicar decisões de modelagem para uma audiência de negócios (prévia do trabalho intermediário)
Roteiro do encontro
| Bloco | O quê |
|---|---|
| 1. Revisão integrada (cerca de 45 min) | O fluxo completo de uma análise de série temporal, com as perguntas que cada etapa responde |
| 2. Prévia do trabalho intermediário (cerca de 75 min) | Cada grupo mostra onde está; a turma e os docentes dão feedback (sem nota) |
O fluxo de uma análise de série temporal
Cada etapa tem uma página de referência:
| Etapa | Onde revisar |
|---|---|
| Componentes, decomposição, ACF/PACF, estacionariedade | Fundamentos |
| AR, MA, ARIMA, Box-Jenkins, AICc, diagnóstico | Modelos ARIMA |
| Sazonalidade estocástica, SARIMA, Prophet | SARIMA e Prophet |
| Métricas, validação cruzada temporal, quebras estruturais | Previsão e Validação |
| Prática guiada em Python | Lab 1 |
Qual modelo, quando?
Não existe modelo “melhor” em abstrato. A escolha depende da série, do horizonte e de quanto você precisa explicar o resultado.
| Família | Quando brilha | Cuidado com |
|---|---|---|
| SeasonalNaive | Sempre, como baseline. Se você não o vence, o modelo não está agregando valor | Nada: é o piso que todo modelo precisa superar |
| ARIMA / SARIMA | Séries curtas e médias, dinâmica linear, sazonalidade estável; parâmetros interpretáveis | Quebras estruturais, múltiplas sazonalidades, séries muito longas |
| ETS | Tendência e sazonalidade que evoluem suavemente; muito robusto em competições | Pouca flexibilidade para variáveis externas |
| Prophet | Dados diários com feriados, múltiplas sazonalidades, changepoints | Séries mensais curtas; tende a “inventar” tendência |
| ML (boosting com lags) | Muitas séries ao mesmo tempo, variáveis externas ricas, relações não lineares | Leakage, poucos dados, extrapolação de tendência |
| Foundation models (Chronos, TimesFM) | Baseline rápido sem treino (zero-shot) | Caixa-preta; nem sempre vence o SARIMA bem ajustado |
Comece simples (baseline + SARIMA/ETS), valide com CV temporal e só aumente a complexidade se o ganho de MASE compensar a perda de interpretabilidade. Combinações simples (média de dois ou três modelos bons) costumam ser difíceis de bater.
Armadilhas mais comuns
Checklist antes de entregar uma previsão
- Baseline: comparei com o
SeasonalNaive? Meu modelo é melhor que ele na validação? - Leakage: alguma feature, transformação ou normalização usou dados do período de teste?
- Validação: avaliei em várias janelas (expanding window), e não em um único corte?
- Métrica: a métrica faz sentido para a série? (MAPE explode com valores perto de zero; MASE é comparável entre séries)
- Intervenções: tratei choques conhecidos (COVID, aquisição, mudança de metodologia)?
- Resíduos: o Ljung-Box indica que sobrou estrutura não modelada?
- Incerteza: reportei intervalos de previsão, e não só a previsão pontual?
- Negócio: a conclusão responde à pergunta da diretoria, em linguagem que ela entende?
Prévia do trabalho intermediário (sem nota)
A prévia é um checkpoint: o objetivo é trocar ideias e ajustar o rumo antes da entrega final (dom 15/nov, 23h59). O enunciado completo está em Trabalho Intermediário.
Formato: cerca de 5 minutos por grupo, sem slides elaborados (o notebook aberto basta), seguidos de 3 minutos de feedback.
Cada grupo tenta responder:
- Qual estratégia de análise adotaram, e como trataram a aquisição?
- Que modelos estão comparando, e como validaram?
- Qual foi a decisão mais difícil até agora?
- Qual é a principal dúvida do grupo neste momento?
Feedback da turma (estrutura sugerida): uma coisa que funcionou, uma pergunta e uma sugestão concreta.
Ideias sobre como combinar as previsões dos grupos na predição agregada da turma são bem-vindas desde já: a decisão acontece no Lab 2.
Quizzes: Teste seu Entendimento
MASE acima de 1 significa que o modelo erra mais que o baseline ingênuo (sazonal, quando o MASE é escalado pelo SeasonalNaive). Antes de sofisticar o modelo, volte aos dados: há quebra estrutural, outlier ou intervenção não tratada? A transformação (log, diferença) está adequada? Muitas vezes o problema está na etapa 2 do fluxo, e não na etapa 5.
Na dúvida, o mais parcimonioso. O AICc compara ajuste dentro da amostra; a validação cruzada mede o que importa (erro fora da amostra). Se a diferença de MASE é pequena, o modelo menor é mais estável, mais fácil de explicar e menos sujeito a sobreajuste.
A favor: o processo gerador mudou (nova escala, possivelmente nova sazonalidade), e misturar regimes viesaria o modelo. Contra: sobra pouca série para estimar sazonalidade anual com segurança; alternativas como somar a série da adquirida no período anterior, usar uma dummy de nível ou modelar em log (o efeito vira um degrau) aproveitam mais informação. O ponto central é justificar com evidência (gráficos, testes, validação).
Porque a ordem carrega a informação: embaralhar faria o modelo “ver o futuro” ao prever o passado (leakage), produzindo erros otimistas. Na validação temporal, cada janela de teste fica sempre depois dos dados de treino, reproduzindo o uso real do modelo.
Para Saber Mais
- Hyndman, R.J., & Athanasopoulos, G. (2021). Forecasting: Principles and Practice, 3rd ed., Cap. 5 (The forecaster’s toolbox) e Cap. 13 (Some practical forecasting issues). otexts.com/fpp3
- Makridakis, S., Spiliotis, E., & Assimakopoulos, V. (2020). The M4 Competition: 100,000 time series and 61 forecasting methods. International Journal of Forecasting, 36(1).